Rodrigo Ferrari, entrevista: adaptação é palavra de ordem!

DJ SOUND

Rodrigo Ferrari, entrevista: adaptação é palavra de ordem!

Versatilidade é uma clara definição para a trajetória do paulistano, produtor musical e DJ Rodrigo Ferrari, que há mais de duas décadas exerce a arte de fazer as pistas dançarem.

Desde a adolescência tornou-se aficionado pelo mundo da música (anos 80, Punk, Metal e Rock),  e das casas noturnas.

Como DJ deu inicio professional em 1992, e foi galgando seu espaço, tocando ao lado dos grandes nomes nacionais e internacionais.

No início dos anos 2000, foi residente do Mood Club em São Paulo, onde sua capacidade o inseriu como um dos melhores DJs de warm-ups do Brasil numa sistemática híbrida rara, o pondo a frente de grandes clubs, eventos e festivais.

Sua residência no club Pachá de São Paulo deu a visibilidade nacional e internacional merecida depois de árduo trabalho, com isso vieram as primeiras tours internacionais com passagens pela Europa (incluindo Ibiza), Estados Unidos.

Não satisfeito em apenas tocar a música feita pelos outros, Rodrigo Ferrari pegou as malas e foi passar uma temporada na Inglaterra, num dos maiores cursos de engenharia de audio do mundo no segmento.

Na sua volta começaram as experiências de estúdio que lhe renderam os primeiros lançamentos em CDs, além de suas músicas inseridas em suas próprias compilações mixadas lançadas por importantes gravadoras.

O tempo passou e a maturidade de suas composições e remixes tem chamado atenção de artistas e gravadoras internacionais.

Um adendo dos mais importantes é que a carreira deste artista vem sustentada com trabalho e adaptações de mercado, que dão a longevidade e consistência que muitos não acautelam em ter num mercado tão competitive como a cena do rock e em outras profissões como a de DJ e produtor musical.

Batemos um papo com Rodrigo Ferrari em meio a sua extensa agenda de compromissos, onde ele faz um rewind da sua carreira e aponta caminhos e projetos futuros.

Site oficial:

www.rodrigoferrari.net

Exerce alguma profissão em paralelo a carreira artística?

Minha formação é engenharia de áudio, pela britânica SAE.

Dedicação 100% para a música, seja discotecando, no estúdio, com projetos atuais, novos e tudo mais que for relacionado.

Muitos na música eletrônica optam por serem DJs, mas você escolheu criar as suas próprias faixas autorais. O que isso significa para você?

A história começou como DJ há 24 anos, produzir era o que faltava para me completar como artista.

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DJ, Produtor – Rodrigo Ferrari

Você pretende montar um Live?

Nos últimos 10 anos tenho investido bastante nos estudos, pesquisas e estou começando a me sentir a vontade para executar um set totalmente autoral, mas nada formatado ainda.

Quem sabe uma mescla, não substituirá o meu prazer pela discotecagem.

Porque escolheu a produção musical?

Vontade demais!

Teve medo em algum momento de alguma rejeição por parte de outros profissionais do mercado?

Não penso nisso. Confio no meu trabalho! Não tenho problemas com opiniões, respeito, absorvo o que é válido.

Alguma coisa lhe chateia no segmento de música eletrônica nacional?

Sou muito grato ao mercado nacional. Música é cultura! Estamos evoluindo.

Qual é a parte mais desgastante e a mais prazerosa da carreira como produtor musical?

Desgastante é encontrar um caminho autoral. Prazerosa é participar da cena efetivamente.

Quais os equipamentos que usa nas suas produções? Tem algum favorito que você usa em muitas das músicas?

Basicamente o Logic Pro, um dos softwares mais completos para a música eletrônica, onde me sinto muito a vontade.

Complementado, os “virtual instruments”,“plug ins” e as vezes com algum “synth” externo.

Gosto de criar com músicos, microfonar e gravar alguns instrumentos de percussão, sopro ou cordas.

Vou buscando detalhes que darão originalidade e quando encontro me acompanham na definição da minha identidade.

Na sua opinião um set-up de estúdio e ao vivo deve envolver somente softwares ou hardwares?

Não acredito em regras. Pessoalmente, não sou fanático por hardwares e muitos dos instrumentos clássicos e atuais já estão digitalizados. Liberdade para criar! O mais importante é o resultado final.

Você pensa e age como um DJ no sentido de ter feeling quando está tocando suas próprias músicas ao vivo?

Em primeiro lugar a pista, se não couber não as tocarei. Procuro sempre produzir o que toco.

Com as músicas que lançou imaginou de alguma forma que elas seriam lançadas por selos e que conquistariam o mercado mundial?

Não imaginei, mas planejo e acredito. Meu suporte tem aumentado muito, o que me deixa bem satisfeito.

Participar do Top 100 dos principais portais de vendas on line só confirma as escolhas.

O que fez para sua música chegar aos selos que as lançaram?

Hoje em dia a globalização facilita bastante, mas oferecer um bom trabalho com estratégia amparada por profissionais especializados é fundamental.

Quando teremos oportunidade de ouvir um álbum autoral completo seu?

Novidades em breve! (rs)

Acredita num som eletrônico com alguma cara brasileira, assim como os alemães impuseram estilos como o minimal e Tech-House pelo mundo afora?

Por enquanto não vejo a criação de um estilo completamente novo.

O que temos com frequência é a utilização de elementos brasileiros, como os de percussão, vocais, em estilos já existentes.  Quem sabe?

Qual é o seu hobby?

Basketball! Fui jogador profissional, hoje só “rachas” com os amigos. (rs)

Alguma obstinação?

Obstinação não, determinação sim.

Algum sonho que gostaria de realizar na música?

Já realizei muitos mas eles não páram, renovo diariamente, continuamos trabalhando.

O que almeja agora e para o futuro da sua carreira?

“Keep Moving”!

Tem algum ritual ou mania que realiza antes ou durante cada apresentação?

Faço questão de sentir a pista, de estar á vontade. Mas oração antes e depois não falta.

O quanto um trabalho de uma agência de bookings é importante na carreira de um artista?

Bastante, como também os outros braços que complementam o planejamento, as estratégias,  mas que não trabalham sozinhas.

Como você se define como pessoa e profissional?

Verdadeiro!

Quanto tempo se imagina dentro do mercado de música eletrônica? É algo que prospectou mesmo para seguir como carreira de longa duração?

Não me imagino fazendo outra coisa, quando comecei sabia que era por uma vida.

Enquanto eu tiver espaço, estarei presente.

Quais as dicas que você pode dar para aqueles que desejam entrar na profissão para valer como você entrou?

Antes de mais nada, saiba realmente o que quer.

Precisará de entrega total com constante adaptação, atualização.

Almeje o respeito e não o sucesso, ele será uma consequência.

O Sailor Goes House de uma brincadeira para reunir os amigos já fez quatro anos. Qual é o segredo para manter um projeto por tanto tempo em rotação?

As adaptações são frequentes, o ideal é manter a essência.

Estamos crescendo, mas não perderemos o conceito. Continuamos sendo uma festa feita por amigos para os amigos!

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Quais são as maiores dificuldades atuais na noite de SP para se fazer uma festa nos moldes da sua ?

Equilibrar os pontos. Tenho o previlégio de ter parceiros que acreditaram e estão juntos nessa.

Como são definidos os line-ups da sua festa?

São três amigos convidados do Deep House, Tech House e Techno que se formam, entre artistas referência do mercado e novos talentos.

A percussão sustentável do Joni Anglister, e as projeções no entorno urbano do VJ Ortega completam.

Uma mistura que deu certo!

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Qual o pior lugar que tocou até hoje?

Foi uma situação que ocorreu logo quando comecei, em 1992, numa festa particular.

Em quanto tudo acontecia na sala, eu tocava da garagem sem ver ou participar. Uma outra época. Dá pra imaginar? (rs)

Qual foi o melhor lugar que tocou até hoje?

Díficil escolher! São muitos festivais, festas e clubs ao redor do mundo, mas a melhor sempre está por vir.

Qual música lembra sua infância?

Não consigo definir apenas uma música, meu “top 10 all time” vai dizer algumas.

Qual foi seu primeiro disco?

Coletânea do Chuck Berry “Hail Hail! Rock ’n’ Roll” (1987).

Já levou calote de contratante?

Quem nunca? (rs)

Rodrigo Ferrari, carregado!

Rodrigo Ferrari, carregado!

Club Top 10 – Julho/2016

Rodrigo Ferrari – Unconscious (Original Mix)

Leon, Pirupa – Pitch Da Bitch (Original Mix)

Sergio Parrado, Alex Ferrer – Missed My Bus (Rodrigo Ferrari Remix)

Peace Division – Eh Oh Um (Original Mix)

Veerus, Maxie Devine – Such (Original Mix)

Rodrigo Ferrari – Desire (Original Mix)

Pablo Say – Marim (Original Mix)

krankbrother – Circular Thing (Hot Since 82 Remix)

Tuff Wheelz – Prophecy (Original Mix)

Carlo Ruetz – Ordinary House (Wigbert Remix)

Top 10  –  De todos os tempos

Dave Brubeck Quartet – Take Five

Herbie Hancock – I Thought It Was You

Womack & Womack – Teardrops

Pixies – Gouge Away

Depeche Mode – Policy Of Truth

Tracey Thorn – Why Does The Wind

Radiohead – Reckoner

Chet Faker – I’m Into You

Jamie xx – Loud Places feat. Romy

Disclosure – F For You

by Gonçalo Vinha

pics by Flashbang

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